sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

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E quando tem chacina de adolescente: como é que você se sente?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O fio e o tempo.

Dia desses, fui a um salão de beleza. Tudo normal: tempo frio e pálido. Uma tarde. Sucedeu que me sentei em uma daquelas poltronas confortáveis onde cortamos o cabelo. Sabemos como são os homens, se vai cortar o cabelo é vaidade. Mas veja só que contradição.

Enquanto meu fios de cabelo caíam sobre aquela espécie de bata que usamos para o cabelo não cair em cima da gente, vi um fio branco. Naquele momento, eu entrei nele. Com os olhos abertos, eu me vi segurando uma bengala, numa cadeira de balanço, usando óculos, falando manso e aguardando a morte vir com um traje elegante. Gritando baixo meu nome aos meus ouvidos. Me chamando...

Tirei aquele pano, o fio de cabelo branco desapareceu. Até agora eu estou correndo, porque sei que mais fios brancos me esperam e, com eles, a vida ociosa.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Vento frio, sangue quente.


Aquela era uma noite normal: a cidade dormia, apesar dos barulhos das derrapagens e dos tiros de bala. Mas, longe do sono atrapalhado, o campo dormia sem nenhum som, senão o da fauna local - com todos aqueles grilos e cigarras. Um bom local para se descansar, entretanto, nada tão seguro. Mas aquele casal queria a liberdade, eles queriam anarquizar geral. Nesse dia, o céu estava baixo. Estrelas pareciam cair de tão próximas e a lua conspirava contra a sorte dos dois. Não se ouviu muita coisa nem se viu. Só o assovio da lâmina - naquele vento frio que passava pelo cume do monte. Em seguida, o jato vermelho. Os gritos estridentes só de um, porque o outro nem os olhos conseguia manter abertos. Mas já era tarde. O serviço acabara de se dá por consumado. Mais um. O único rastro é o cheiro de sangue fresco e os rostos que - por mais pálidos que estivessem - ainda apresentavam fácies de horror e medo. O céu continuara baixo, como as pálpebras do belo casal.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Eu viajo nessa onda.

Pra descomplicar um pouco, é melhor respirar novos ares. Escutar músicas. Não dessas que a gente ouve nas paradas de sucesso, mas aquelas que nasceram há dez mil anos atrás. A música de antes é mais palpável, mais tocante. Pudera... Primeiro pelo som ranhento do toca discos velho, segundo pela densidade da letra...





Por mais louca que pareça.

domingo, 12 de outubro de 2008

Do lado da crise: a rotina inabalável.

Está longe de ser demagogia ou hipocrisia. É muita grana. Nos últimos dias, o modo de produção capitalista tem sofrido grandes perdas. O sistema está febril e à beira de um colapso. Governos estão injetando dinheiro para que sejam salvos grandes bancos de diversos países. Os principais mercados de ações apresentam quedas cumulativas há vários dias (como sabemos, toda essa perda nas bolsas serão revertidades para nós - consumidores indefesos e bobos). Grandes investidores estão perdendo dinheiro. Espera aí. Leram bem isso?!



Num mundo onde a desigualdade é um abismo intransponível entre repartições da sociedade, talvez estejamos sendo testemunhas oculares de uma mudança que há tanto desejamos. Estudos do IPEA indicam que 10% dos mais ricos da população brasileira detêm cerca de 50% da renda total do país e os 50% mais pobres movimentam cerca de 10% da renda nacional. Partindo-se deste pressuposto, amigo, se você estiver confortável na sua casa, com acesso a internet, tem o que comer e sobrevive com o que tem, fique feliz; mas não deixe de revoltar-se com a pobreza ao lado.

Que o Brasil é assim, qualquer um sabe. Qualquer um engole sapo por aqui, vez ou outra. Em qualquer parte do globo, as classes oprimidas são tratadas de forma paliativa. "Para quê dar-lhes educação? Devemos manter a estabilidade social!" Diriam os adeptos do estado totalitário policial de Orwell, em 1984. Pois é justamento isso o quê está acontecendo. Certo dia, acabei lendo em algum lugar (que agora não me lembro onde), uma frase interessante: "Quando penso que Deus é justo, temo pelo minha espécie"; talvez ela se encaixe bem no ensejo. O egoísmo de meia dúzia de cabeças destroem a esperança de milhões de cidadãos.


Paralelo ao fato supracitato, um detalhe paira, imperceptível, para os que se acham que nada têm a ver com os problemas da sociedade:





sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Temporada aberta: ponham seus narizes de palhaço!

Amigos eleitores, o circo dos horrores abre, mais uma vez, suas majestosas e pitorescas apresentações! Nesta etapa do show, apresentam-se macacos velhos - candidatos ao trono da soberania de seus currais. E o melhor de tudo: TEM MARMELADA SIM, SENHOR! Também tem grana, tutu, bufunfa, suborno, chantagem, corrupção, mentira, desvios de todos os tipos e, como se não bastasse: tem muita palavra bonita na boca dos doutores! Ah... Eles falam tão bem. É de se admirar, não é?! Bem, falando bem ou não, preparem-se para uma faraônica gama de promessas e de jargões do tipo: "No meu governo...".


É de morrer de rir.

Já colocou seu nariz de palhaço, eleitor? Se não, cuide em fazê-lo.


Começou a corrida pela compra de votos, pelo tráfico de influência e pela enganação massiva. Deu-se início a caminhada pelos cargos de prefeito e vereador dos muninípios brasileiros. De fato, devem existir políticos que implementam políticas públicas eficientes, mas não são regra e sim exceções, por isso mesmo não trato deles. Nos próximos três meses, aproximadamente, iremos ouvir àquelas propagandas chatas que ficam circulando por nossas casas, invadindo nossa mente e nos convidando a votar. Irão circular aqueles "santinhos" com uma primorosa arte de photoshop. Companheiros, o termo "santinho" merece um longo texto e uma boa risada. De qualquer forma, a falsa democracia em que vivemos vai ficar mais evidente.



Na noite de hoje, assisti a um debate entre os candidatos à prefeitura da cidade de São Paulo. Com cerca de 12 milhões de habitantes, São Paulo é a maior cidade do país e, por ela, brilham os olhos de alguns políticos legais. Companheiros, sinceramente, eu ri! Bastante. Pelos menos numa coisa eles parecem comigo: são tão irônicos uns com os outros...


Figurinhas repetidas de álbuns velhos e versões antigas remontam versões novas de uma história que parece se repetir nos próximos anos. Não se confunda. O trocadilho é de péssimo gosto, mas eu ando aprendendo isso ao ouvir uns políticos. Paulo Maluf, com sua oratória descolada, anuncia obras messiânicas (que ele já fez, é lógico, e que estariam por vir). Soninha, uma mulher bonita, diz que foi de bicicleta ao debate e pedalou por cerca de 9 quilômetros. Outro candidato que não me recordo o nome ficou um pouco nervoso. O Geraldo está ficando careca de promessas feitas. E eu, que mandava ver numa barra de chocolate no momento, assistia a tudo atento.


Fiquei ainda mais convicto de minhas decisões políticas.


Não passam de parasitas! Falsos usurpadores do poder e aproveitadores! Acabam mamando em todas as tetas da vaquinha do governo. Bebem todo o leite e não deixam nada para nós, idiotas e passivos. Malditos sejam esses falsos moralistas!


A temporada de caça aos idiotas está aberta. Você é alvo, eu sou alvo.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Eu queria ter nascido burro.


Caros amigos, preciso de uma confissão, já! Preciso dizer o quanto sinto por ter nascido na década de oitenta e não nos gloriosos anos onde o futuro de cada nação era só dela, onde globalização não existia no vocabulário neologista, onde prazer era acender o candeeiro e não assistir às novelas alienantes e, principalmente, quando o capitalismo não havia inventado o tempo. Hoje, é contagem regressiva. Apertem os cintos. Preparem-se para afundar ou descolar - mas sempre bem presos, que fique claro!





Calma, calma... Não é proposta infundada. Tem explicação. Tem uma verdade dura, nua e crua. Acho que estou ficando maluco. Venho pensando em cada coisa ultimamente... Ligo a Tv e só ouço abobrinha. Ligo o rádio e só ouço abobrinha. Ligo meus ouvidos e só ouço abobrinha. É gente enganando gente aqui, é gente enganando gente ali. São produtos revolucionários nos anúncios dos out-doors. São anúncios hiper-mega-ultra-super imperdíveis nos comerciais dos jogos. Amigos, estamos vivendo no inferno e está ficando cada vez mais quente com esse tal de aquecimento global, subproduto capitalista, que queima meus neurônios. É uma chuva meteórica de argumentos, mas paro por aqui esse trecho objetivo e expansivo.



Sucede que nos últimos dias eu conquistei minha emancipação política. Decretei feriado até! Eu já entendo o mundo. É uma lástima que o inverso não seja tão verdadeiro quanto. É interessante saber que todos somos a soma do que nos rodeia. Até por isso mesmo, mudei minhas concepções sobre os que a sociedade julgam marginalizados: bandidos, corruptos e assassinos. A impotência que assola aos animais não é mais a sexual. Fico abestalhado em admirar tudo que há nesse imundo - mil perdões -, quiz dizer mundo.

Leitor, eu queria ter nascido burro. Desculpem a falta de modéstia. Mas burro não sofre: ele não nota as linhas tortas do girar da terra, ele vê ainda mais beleza, ainda mais cores, outros tons e sintonias. Eu queria a esta hora da madrugada apresentar-me bêbado e sem condições de saber que existe futuro e que, de maneira incrível, ele se apresenta não na minha frente, mas correndo atrás de mim com suas garras afiadas esperando uma queda nessa correria toda.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Somos feitos de palavras!

Caro leitor, é numa das minhas madrugadas que escrevo mais estas sandices. De repente, sem motivos especiais, me vem uma vontade de escrever. Como sempre: ao som de um bom som.







Pois bem, traço estas linhas para falar da nossa limitação dentro de nós mesmos. Experimente fazer uns pequenos versos. Sinceros. O que deveras vier ao teu coração. E, depois, mostre a algumas pessoas. Se você for como mais um dos seis bilhões de homens e mulheres que, aproximadamente, enchem a terra de incertezas, sentirá um leve desconforto... Talvez um rugor até que te acostumes ao ofício (Que eu não esteja sendo exagerado).



Sim! Sinto-me desconfortável em mostrar, aqui, minhas opiniões.



Volto ao que quero falar.


Tenho uma teoria para isso. Acho que somos feitos de palavras.

Observe bem as pessoas. Todas elas tiveram seus rumos mudados por palavras bem ou mal colocadas aqui ou aculá. Inclusive você. Todos nós somos sensíveis a elas. Palavras para brincar, pedir desculpas, de amor, com urgência, doentias... Ora! CUIDADO!


Amigo, talvez estejas pensando que estas linhas são meramente à respeito das palavras. Mas, nelas, guardo sentimentos que não me cabem extravasar mais. Esta crônica é, simplesmente, um desabafo de que convém dizer que com as palavras não se brinca. Ela nos chega às entranhas e, lá, espalha seus tétricos sentimentos. Porque elas ficam. Irradiam-se. E, o mais interessante, é que elas emitem ondas reflexas na maioria dos casos. As palavras estão em guerra!



Até acho que seria melhor eu não ter escrito isto.





Mas nós não cabemos em nós mesmos.



Nós transbordamos.



A vida é como um copo d'água em baixo de uma torneira ligada. O copo vai enchendo. O que transborda é sentimento. E, como mostro aqui, os meus sentimentos estão sendo expostos nesse pequeno texto. Daí o desconforto. Estamos desprotegidos quando usamos as palavras para que os outros leiam. Ficamos nus. Cada corte fica exposto em carne viva. E, cá pra nós, estes cortes teimam em esconder-se. Nos moemos por dentro.


O meu copo está transbordando há tempo.






Chega!