quarta-feira, 8 de abril de 2009

Escreva e fixe. Escreva e fixe.


Um papel em branco fica a me desafiar. Colocar a mão à pena, mas com quais fundamentos? Parece que todo o tempo, o tempo todo, estou mentindo. Afinal de contas, tudo é tão passageiro que o feitio de agora torna-se inutilizável minuto após.
Eu canso disso tudo. No entanto, é preciso admitir que me vem à tona boas risadas com as boas asneiras que me saem. Passaram-se horas. Passou outra. A gente nessa vidinha de sempre: sem risco. É preciso arriscar. Sentir o veneno doce do perigo correr por perto. Entrando na corrente sanguínea, acelerando o batimento. Apertando o nó que nasce no momento e sempre desfaz-se no final.
Tudo é tão fácil. Eu aqui rindo de tudo, mas, do outro lado da rua, tem sempre alguém com o nervo fervendo. Coisas bobas.
Sabe, eu canso de escrever o que não entendo. Parece que meu cérebro anda parindo órfãos. Caso entenda, mande-me um toque.
Toque-me.

terça-feira, 24 de março de 2009

Passant.

Eu tenho um coração coberto por nervos
Sinto pelo nó na garganta!
Ou pela velocidade embaixo do peito.
O terreno é íngrime.
É estranho, é bonito.

Aperte o cinto. Segure-se firme.
É escorregadio...
Difícil de se percorrer!
Não se atreva., homem.

Ora. Mas de que vale ficar de longe?
Eu quero tocar.
Encostar um dedo no cheiro doce.
Provar da palavra afável.

É veneno!
É risco!

Estou com pressa.

Espere

...



Depois disso, tudo que se ouviram foram passos apressados. Calculados.

E então, sem pestanejar, o nosso herói lançou-se à sorte.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Insight

O relógio faz um barulho. Enquanto penso, o tempo passa. Barulhinho chato esse! Ponteiros para cima, ponteiros para baixo; segundos para frente, tempo passado. É assim: crueldade. Tempo escorre dos dedos das nossas mãos e só volta se for bem vivido. Fico fazendo planos. O que será desse rapaz quando as pilhas desse relógio já houverem sido trocadas centenas de vezes?


Você tem coragem de mudar seu destino? Enquanto as pilhas são trocadas, você vai perdendo suas chances. Preste atenção: assim que tomar uma decisão, vire à esquerda. Anarquize! Trace idéias maiores, mas que não sejam feitas de papel. Certa vez, ouvi dizer que o caminho do risco é o sucesso. Ora, só temos a ganhar.

Coloquemos os pesos na balança.




O que você pensa que levará no cubículo que lhe é destinado?


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

!

E quando tem chacina de adolescente: como é que você se sente?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O fio e o tempo.

Dia desses, fui a um salão de beleza. Tudo normal: tempo frio e pálido. Uma tarde. Sucedeu que me sentei em uma daquelas poltronas confortáveis onde cortamos o cabelo. Sabemos como são os homens, se vai cortar o cabelo é vaidade. Mas veja só que contradição.

Enquanto meu fios de cabelo caíam sobre aquela espécie de bata que usamos para o cabelo não cair em cima da gente, vi um fio branco. Naquele momento, eu entrei nele. Com os olhos abertos, eu me vi segurando uma bengala, numa cadeira de balanço, usando óculos, falando manso e aguardando a morte vir com um traje elegante. Gritando baixo meu nome aos meus ouvidos. Me chamando...

Tirei aquele pano, o fio de cabelo branco desapareceu. Até agora eu estou correndo, porque sei que mais fios brancos me esperam e, com eles, a vida ociosa.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Vento frio, sangue quente.


Aquela era uma noite normal: a cidade dormia, apesar dos barulhos das derrapagens e dos tiros de bala. Mas, longe do sono atrapalhado, o campo dormia sem nenhum som, senão o da fauna local - com todos aqueles grilos e cigarras. Um bom local para se descansar, entretanto, nada tão seguro. Mas aquele casal queria a liberdade, eles queriam anarquizar geral. Nesse dia, o céu estava baixo. Estrelas pareciam cair de tão próximas e a lua conspirava contra a sorte dos dois. Não se ouviu muita coisa nem se viu. Só o assovio da lâmina - naquele vento frio que passava pelo cume do monte. Em seguida, o jato vermelho. Os gritos estridentes só de um, porque o outro nem os olhos conseguia manter abertos. Mas já era tarde. O serviço acabara de se dá por consumado. Mais um. O único rastro é o cheiro de sangue fresco e os rostos que - por mais pálidos que estivessem - ainda apresentavam fácies de horror e medo. O céu continuara baixo, como as pálpebras do belo casal.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Eu viajo nessa onda.

Pra descomplicar um pouco, é melhor respirar novos ares. Escutar músicas. Não dessas que a gente ouve nas paradas de sucesso, mas aquelas que nasceram há dez mil anos atrás. A música de antes é mais palpável, mais tocante. Pudera... Primeiro pelo som ranhento do toca discos velho, segundo pela densidade da letra...





Por mais louca que pareça.