Caro leitor, é numa das minhas madrugadas que escrevo mais estas sandices. De repente, sem motivos especiais, me vem uma vontade de escrever. Como sempre: ao som de um bom som.

Pois bem, traço estas linhas para falar da nossa limitação dentro de nós mesmos. Experimente fazer uns pequenos versos. Sinceros. O que deveras vier ao teu coração. E, depois, mostre a algumas pessoas. Se você for como mais um dos seis bilhões de homens e mulheres que, aproximadamente, enchem a terra de incertezas, sentirá um leve desconforto... Talvez um rugor até que te acostumes ao ofício (Que eu não esteja sendo exagerado).
Sim! Sinto-me desconfortável em mostrar, aqui, minhas opiniões.
Volto ao que quero falar.
Tenho uma teoria para isso. Acho que somos feitos de palavras.
Observe bem as pessoas. Todas elas tiveram seus rumos mudados por palavras bem ou mal colocadas aqui ou aculá. Inclusive você. Todos nós somos sensíveis a elas. Palavras para brincar, pedir desculpas, de amor, com urgência, doentias... Ora! CUIDADO!
Amigo, talvez estejas pensando que estas linhas são meramente à respeito das palavras. Mas, nelas, guardo sentimentos que não me cabem extravasar mais. Esta crônica é, simplesmente, um desabafo de que convém dizer que com as palavras não se brinca. Ela nos chega às entranhas e, lá, espalha seus tétricos sentimentos. Porque elas ficam. Irradiam-se. E, o mais interessante, é que elas emitem ondas reflexas na maioria dos casos. As palavras estão em guerra!
Até acho que seria melhor eu não ter escrito isto.

Mas nós não cabemos em nós mesmos.
Nós transbordamos.
A vida é como um copo d'água em baixo de uma torneira ligada. O copo vai enchendo. O que transborda é sentimento. E, como mostro aqui, os meus sentimentos estão sendo expostos nesse pequeno texto. Daí o desconforto. Estamos desprotegidos quando usamos as palavras para que os outros leiam. Ficamos nus. Cada corte fica exposto em carne viva. E, cá pra nós, estes cortes teimam em esconder-se. Nos moemos por dentro.
O meu copo está transbordando há tempo.

Chega!