terça-feira, 22 de julho de 2008

Eu queria ter nascido burro.


Caros amigos, preciso de uma confissão, já! Preciso dizer o quanto sinto por ter nascido na década de oitenta e não nos gloriosos anos onde o futuro de cada nação era só dela, onde globalização não existia no vocabulário neologista, onde prazer era acender o candeeiro e não assistir às novelas alienantes e, principalmente, quando o capitalismo não havia inventado o tempo. Hoje, é contagem regressiva. Apertem os cintos. Preparem-se para afundar ou descolar - mas sempre bem presos, que fique claro!





Calma, calma... Não é proposta infundada. Tem explicação. Tem uma verdade dura, nua e crua. Acho que estou ficando maluco. Venho pensando em cada coisa ultimamente... Ligo a Tv e só ouço abobrinha. Ligo o rádio e só ouço abobrinha. Ligo meus ouvidos e só ouço abobrinha. É gente enganando gente aqui, é gente enganando gente ali. São produtos revolucionários nos anúncios dos out-doors. São anúncios hiper-mega-ultra-super imperdíveis nos comerciais dos jogos. Amigos, estamos vivendo no inferno e está ficando cada vez mais quente com esse tal de aquecimento global, subproduto capitalista, que queima meus neurônios. É uma chuva meteórica de argumentos, mas paro por aqui esse trecho objetivo e expansivo.



Sucede que nos últimos dias eu conquistei minha emancipação política. Decretei feriado até! Eu já entendo o mundo. É uma lástima que o inverso não seja tão verdadeiro quanto. É interessante saber que todos somos a soma do que nos rodeia. Até por isso mesmo, mudei minhas concepções sobre os que a sociedade julgam marginalizados: bandidos, corruptos e assassinos. A impotência que assola aos animais não é mais a sexual. Fico abestalhado em admirar tudo que há nesse imundo - mil perdões -, quiz dizer mundo.

Leitor, eu queria ter nascido burro. Desculpem a falta de modéstia. Mas burro não sofre: ele não nota as linhas tortas do girar da terra, ele vê ainda mais beleza, ainda mais cores, outros tons e sintonias. Eu queria a esta hora da madrugada apresentar-me bêbado e sem condições de saber que existe futuro e que, de maneira incrível, ele se apresenta não na minha frente, mas correndo atrás de mim com suas garras afiadas esperando uma queda nessa correria toda.

2 comentários:

Larissa Fernandes disse...

Eu queria ter nascido burra também. xD

Thay disse...

juaoo pow.. adorei o texto!! ^^