terça-feira, 24 de março de 2009

Passant.

Eu tenho um coração coberto por nervos
Sinto pelo nó na garganta!
Ou pela velocidade embaixo do peito.
O terreno é íngrime.
É estranho, é bonito.

Aperte o cinto. Segure-se firme.
É escorregadio...
Difícil de se percorrer!
Não se atreva., homem.

Ora. Mas de que vale ficar de longe?
Eu quero tocar.
Encostar um dedo no cheiro doce.
Provar da palavra afável.

É veneno!
É risco!

Estou com pressa.

Espere

...



Depois disso, tudo que se ouviram foram passos apressados. Calculados.

E então, sem pestanejar, o nosso herói lançou-se à sorte.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Insight

O relógio faz um barulho. Enquanto penso, o tempo passa. Barulhinho chato esse! Ponteiros para cima, ponteiros para baixo; segundos para frente, tempo passado. É assim: crueldade. Tempo escorre dos dedos das nossas mãos e só volta se for bem vivido. Fico fazendo planos. O que será desse rapaz quando as pilhas desse relógio já houverem sido trocadas centenas de vezes?


Você tem coragem de mudar seu destino? Enquanto as pilhas são trocadas, você vai perdendo suas chances. Preste atenção: assim que tomar uma decisão, vire à esquerda. Anarquize! Trace idéias maiores, mas que não sejam feitas de papel. Certa vez, ouvi dizer que o caminho do risco é o sucesso. Ora, só temos a ganhar.

Coloquemos os pesos na balança.




O que você pensa que levará no cubículo que lhe é destinado?


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

!

E quando tem chacina de adolescente: como é que você se sente?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O fio e o tempo.

Dia desses, fui a um salão de beleza. Tudo normal: tempo frio e pálido. Uma tarde. Sucedeu que me sentei em uma daquelas poltronas confortáveis onde cortamos o cabelo. Sabemos como são os homens, se vai cortar o cabelo é vaidade. Mas veja só que contradição.

Enquanto meu fios de cabelo caíam sobre aquela espécie de bata que usamos para o cabelo não cair em cima da gente, vi um fio branco. Naquele momento, eu entrei nele. Com os olhos abertos, eu me vi segurando uma bengala, numa cadeira de balanço, usando óculos, falando manso e aguardando a morte vir com um traje elegante. Gritando baixo meu nome aos meus ouvidos. Me chamando...

Tirei aquele pano, o fio de cabelo branco desapareceu. Até agora eu estou correndo, porque sei que mais fios brancos me esperam e, com eles, a vida ociosa.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Vento frio, sangue quente.


Aquela era uma noite normal: a cidade dormia, apesar dos barulhos das derrapagens e dos tiros de bala. Mas, longe do sono atrapalhado, o campo dormia sem nenhum som, senão o da fauna local - com todos aqueles grilos e cigarras. Um bom local para se descansar, entretanto, nada tão seguro. Mas aquele casal queria a liberdade, eles queriam anarquizar geral. Nesse dia, o céu estava baixo. Estrelas pareciam cair de tão próximas e a lua conspirava contra a sorte dos dois. Não se ouviu muita coisa nem se viu. Só o assovio da lâmina - naquele vento frio que passava pelo cume do monte. Em seguida, o jato vermelho. Os gritos estridentes só de um, porque o outro nem os olhos conseguia manter abertos. Mas já era tarde. O serviço acabara de se dá por consumado. Mais um. O único rastro é o cheiro de sangue fresco e os rostos que - por mais pálidos que estivessem - ainda apresentavam fácies de horror e medo. O céu continuara baixo, como as pálpebras do belo casal.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Eu viajo nessa onda.

Pra descomplicar um pouco, é melhor respirar novos ares. Escutar músicas. Não dessas que a gente ouve nas paradas de sucesso, mas aquelas que nasceram há dez mil anos atrás. A música de antes é mais palpável, mais tocante. Pudera... Primeiro pelo som ranhento do toca discos velho, segundo pela densidade da letra...





Por mais louca que pareça.

domingo, 12 de outubro de 2008

Do lado da crise: a rotina inabalável.

Está longe de ser demagogia ou hipocrisia. É muita grana. Nos últimos dias, o modo de produção capitalista tem sofrido grandes perdas. O sistema está febril e à beira de um colapso. Governos estão injetando dinheiro para que sejam salvos grandes bancos de diversos países. Os principais mercados de ações apresentam quedas cumulativas há vários dias (como sabemos, toda essa perda nas bolsas serão revertidades para nós - consumidores indefesos e bobos). Grandes investidores estão perdendo dinheiro. Espera aí. Leram bem isso?!



Num mundo onde a desigualdade é um abismo intransponível entre repartições da sociedade, talvez estejamos sendo testemunhas oculares de uma mudança que há tanto desejamos. Estudos do IPEA indicam que 10% dos mais ricos da população brasileira detêm cerca de 50% da renda total do país e os 50% mais pobres movimentam cerca de 10% da renda nacional. Partindo-se deste pressuposto, amigo, se você estiver confortável na sua casa, com acesso a internet, tem o que comer e sobrevive com o que tem, fique feliz; mas não deixe de revoltar-se com a pobreza ao lado.

Que o Brasil é assim, qualquer um sabe. Qualquer um engole sapo por aqui, vez ou outra. Em qualquer parte do globo, as classes oprimidas são tratadas de forma paliativa. "Para quê dar-lhes educação? Devemos manter a estabilidade social!" Diriam os adeptos do estado totalitário policial de Orwell, em 1984. Pois é justamento isso o quê está acontecendo. Certo dia, acabei lendo em algum lugar (que agora não me lembro onde), uma frase interessante: "Quando penso que Deus é justo, temo pelo minha espécie"; talvez ela se encaixe bem no ensejo. O egoísmo de meia dúzia de cabeças destroem a esperança de milhões de cidadãos.


Paralelo ao fato supracitato, um detalhe paira, imperceptível, para os que se acham que nada têm a ver com os problemas da sociedade: